Pegadas N'areia

Junho 16 2008

 

É tão estranho como mesmo longe de mim continuas a preencher cada momento como se fosse vivido somente contigo… hoje saí, queria não pensar em ti, não pensar que te conheci, não me lembrar do teu rosto, não ouvir o timbre da tua voz, não te conhecer pelas tuas roupas, não ver os teus óculos de sol, não sentir o teu cheiro, queria só não te ver…

Fui longe onde a certeza me segredava que não estarias lá…

Não, na verdade não te toquei, mas cada rosto era o teu rosto, cada cabelo tocado pelo sol era o teu cabelo, cada pele queimada era a tua… Tu estavas em todo o lado, tu eras tudo…

Perguntei-te em pensamento porque insistias em estar sempre comigo mesmo quando já nada faz sentido, quando a distância é maior que ir até ao céu e vir, quando nem as palavras nos deixam dizer o que sentimos, quando nem os gestos nos deixam tocar-nos, quando nem… quando a ausência de sentido é o único sentido na nossa história.

O telemóvel tocou nesse instante… era o teu número.

Eu disse-te que apagaria o teu número quando a nossa historia terminasse, não queria voltar a olhar o teu nome, não que não me fizesse bem, mas a saudade consumia-me muito mais que tudo o que de bom havia…sentimento estranho.

O telemóvel não queria parar e senti as minhas mãos tremerem, senti uma sensação estranha em mim, a mesma sempre que pensava em ti, sempre que esperava por ti, sempre que te abraçava, sempre que te beijava, sempre que estava contigo… atendi e a minha voz queria não sair…uns segundos depois e sabia que estavas do outro lado, longe, mas também comigo em pensamento, algures num lugar muito parecido ao meu, muito provavelmente com a saudade também a tomar conta de ti…

Desculpa, sei que prometi não deixar cair lágrima alguma quando estivéssemos longe, quando não nos pudéssemos tocar, quando não nos pudéssemos beijar… não foi porque quis mas assim que a onda começou a rolar sentia a promessa começar a quebrar-se até que já nada fazia sentido, a espuma tomou conta daquele mar e o meu rosto era água que chorava por ti…

Tive tanta vontade de aceitar que fizesses centenas de quilómetros e viesses ter comigo naquele instante, mas também sabia que não podia, porque tudo voltaria ao que sempre foi… uma tentativa… as saudades… o fim…o não esquecimento… as saudades… as lágrimas…os telefonemas…o meu pensamento todo teu e o teu todo meu…

Sabes que mais? A nossa história há-de ser sempre eterna e um dia a distância apagar-se-á porque nós somos mais que o acreditar, que a leveza, que os sorrisos dos outros, que os nossos abraços em frente ao mundo, que as forças que todos nos dão, que a alegria… porque nós somos transparentes, brancos, azuis, verdes… as cores que quiseres…Prometo-te!

Amanhã hei-de ser eu a ligar-te e porque voltaremos sempre a tentar, eu sei que sim. Adoro-te, amo-te… não, apaga isto, sabes que gosto de olhar-te nos olhos, abraçar-te e poder contar-te tudo isto baixinho sempre com um “Boa sorte, tem cuidado contigo e aguenta-te!”.

Para ti*

 

P.S. - Porque hoje tive saudades tuas, dos tempos em que cada texto era uma carta que te escrevia, dos nossos dias de verão, dos nossos sorrisos, dos nossos olhares... das coisas tão nossas :).

Obrigada por todos os momentos que soubeste tornar tão especiais.Obrigado pelo que depois disso me continuas a fazer acreditar como só tu sabes tão bem e pela magia com que me fazes ainda sorrir como uma criança tola, por todas as nossas brincadeiras que são ainda especiais. A ti J.G., para sempre*

publicado por PegadasN'areia às 21:00

Bem amiga...apesar de já ter sido publicado antes, vale sempre a pena ler de novo!

Adorei o texto...acho que as palavras transmitiram tudo o que sentias.

Beijinho Grande*

Ah...tens um prémio para ti no meu blog
Sofia a 22 de Junho de 2008 às 16:11

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