Pegadas N'areia

Novembro 26 2006

Uma noite estava sentada na areia, sem ninguém. Era assim que Eu me sentia todos os dias ao levantar, acho que já me habituara à ideia de estar sempre só.

Ali, sozinha, o único som que se fazia ouvir era o rebentar das ondas contra a areia e o do vento que soprava aos meus ouvidos como se me ralhasse por algo que fizera, eu só não sabia a quê.

Estava triste, esse parecia também já ser um sentimento constante no meu quotidiano, acho que já não sabia viver sem ele, sem o olhar de pena dos outros, afinal de contas esse era por vezes o meu único consolo… os outros ainda sentiam algo por mim, mesmo que isso significasse pena.

Senti uma enorme vontade de chorar e sem ter tempo sequer de pensar muito nela as lágrimas começaram a cair-me pela face… para mim era apenas mais um pouco de água.

Senti o meu corpo dar um impulso.

Uma mão tocava o meu ombro. A sua pele era macia e tinha um toque especial, um toque verdadeiro, puro.

Olhei para o lado e vi-te sentado ao meu lado.

Eu não te tinha esquecido, por momentos desejei dizer-to, sabia perfeitamente que eras o meu único e verdadeiro amigo, que sempre me dera tudo sem nunca pedir nada em troca. Talvez por isso aprendi a partilhar as minhas tristezas só comigo, a não as partilhar, a guardá-las no que de mais intimo há em mim. Queria poder-te explicar tudo.

Calei-me. Percebi que as explicações não passavam mesmo disso e tu nunca precisaste delas.

Calaste-te por uns instantes, mas decidi não falar.

Tu começaste então…

“Eu sei que nem sempre fui o amigo mais ideal, que nem sempre fui perfeito. Sempre quiseste ouvir de mim coisas bonitas que os outros te diziam quando viravas a esquina, que te diziam com um sorriso sarcástico e já desprovido de qualquer tipo de sentimento. Desculpa, mas sabes que não sou assim, nunca tive muito jeito para essas coisas que a amizade pede, para essas manifestações que nem eu mesmo sei como se fazem.

Neste momento sinto somente a necessidade de dizer que gosto de ti e que independentemente dos nossos caminhos, por mais distantes que eles sejam, um pouco de mim vai ser sempre teu, porque os amigos são assim mesmo. Sei que nada te está a fazer sentido… primeiro critico e agora faço-o, mas também quero que saibas que não sei quanto mais tempo me resta e não queria deixar de o fazer.

Não, espera, ouve-me até ao fim, por favor!

Cada momento estar guardado em mim e fazem com que eu me vista deste modo, que eu sorria assim, que eu… são parte de mim e quero que sejam sempre somente porque gosto deles, uma por uma, e gosto que assim seja.

A amizade é mesmo assim… não importa o número que cada um calça, a cor dos olhos, a textura da pele, o cheiro… interessa sim o nosso sentir.

Eu sinto-me bem quando estou contigo, sinto-me bem por ser teu amigo e isso faz com que eu seja um pouco mais feliz cada dia.

Obrigado por existires em mim, mesmo sem estares sempre, mesmo que às vezes só o som da tua voz seja mais importante que o teu toque.

Obrigado.”

Não conseguia conter as lágrimas e pela primeira vez sentia-me bem com isso.

A amizade é mesmo isso… é sorrir quando o outro sorri… é ajudar o outro a sorrir se ele está menos bem.

É…

(Porque eu prometi... ;) Bj*)

publicado por PegadasN'areia às 16:34

Novembro 17 2006

Mas que sentimento é este que me consome a cada momento e que não me deixa dormir sem ouvir o som da tua voz, que não me deixa sorrir sem te tocar, que não me deixa ser sem... oh, as minhas mãos parecem não acompanhar a velocidade do meu pensamento, a tinta da caneta parece não acompanhar tudo o que te quero escrever...

Queria somente que soubesses como tudo se torna triste e sombrio quando não estás, queria...

Tudo em vão... queria somente escrever-te.

publicado por PegadasN'areia às 21:17

Novembro 08 2006

Ouço a chuva a cair lá fora, gota por gota contra a minha janela. Depois deixam-se abater suavemente pelo vidro até ficarem esquecidas por muitas outras que acabam por abafá-las.

Eu deito-me na cama a ouvir a música no rádio, enroscada no meu corpo, a lutar contra o frio que insiste em entrar pelas telhas já velhas. Acabo por tapar-me com os dois cobertores que ainda restam para que a chuva e o vento não entrem e eu possa deixar de sentir o quentinho dos cobertores.

Tento fechar os olhos e adormecer…

Tu não paras de falar comigo, de me tentares explicar alguma coisa que não entendo por dizeres tantas palavras e todas se acabarem por atropelarem… não consigo tão pouco entender as tuas expressões ou os teus gestos, tudo em ti está descoordenado e tudo deixa de fazer sentido.

Eu quero só dormir e mais nada.

Mas tu insistes, agarras a minha face entre as duas mãos com tanta força que me obrigas a olhar-te.

Eu não reajo. Simplesmente não entendo nada.

O meu corpo começa então a ceder à tua vontade.

Acordo.

Tudo não passara de um sonho, pesadelo talvez.

Abro os olhos com toda a força que me é possível.

Continuo a ouvir o mesmo som da chuva e do vento lá fora e isso faz-me ficar confusa… não entendo.

Puxo os cobertores para junto do meu rosto, viro-me e sinto que tudo acabou… que tudo começou…tu nunca deixaste de me olhar, de estar bem junto a mim.

publicado por PegadasN'areia às 21:16

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